domingo, 21 de agosto de 2011

esclarecimento - colóquio

Queridos leitores, 


em resposta a alguns questionamentos, venho esclarecer que as partes do Colóquio aqui reproduzidas não seguem ordem cronológica, são flashes de variados momentos da história.


Meus melhores sentimentos,
a Gerência. 

colóquio

parte VI

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- Adoro assistir a chuva cair.

- Acho meio deprimente.

- Você acha tudo meio deprimente, Julieta. Das duas uma: ou você é tão feliz que não suporta o mais tênue contraste ou você é deprimida, mesmo.

- Já pensou em ser analista, Fernando? Talvez você seja um grande talento e não sabe.

- Não precisa de ironia.

- É do que mais temos precisado, Fernando. Vou calçar um par de meias. 

domingo, 14 de agosto de 2011

colóquio

parte V

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- É. Ele me disse que cruzou com você. Novo corte de cabelo?

- Pois é. Você sabe, necessito mudar, às vezes.

- Eu sei, Julieta.

- Olha, me desculpe telefonar assim. Não esperava sentir saudades. Faz meses, afinal. 

- Vejo que você segue conservando sua sinceridade.

- Não me refiro a saudades de você, Fernando. Isso, eu já sentia antes de partir. Eu já sentia quando éramos sozinhos em dois.

- Então, do quê?

- Sinto saudades de sentir saudades. É melhor que caminhar sozinha, concordo com Gonzaguinha. Foi isso, eu acho. Quando se acostuma com a saudade, se caminha um pouco sozinho, mesmo.

- Você sempre foi boa nisso, não se preocupe.

- Isso te incomodava, Fernando? Minha capacidade de ser sozinha?

- Eu tinha medo, Julieta. Medo porque você não precisava ser dois, você queria. Querer é tão efêmero. O efêmero sempre desperta medo, eu acho.

- Você, se pudesse, faria de tudo na sua vida uma previdência. Colocava nosso amor no INSS. Para quando ele se aposentasse. Se pudesse, Fernando, você dava ao nosso amor um cargo público. Você quer garantir o que não se pode carimbar. A gente precisa tatear o escuro, às vezes.

- E quem paga as contas quando é demitido?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

correspondência

parte II

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“Rio de Janeiro, Inverno.

Eu disse que escreveria sempre, não disse, você sabe. Material para coleção, a esta altura, você já tem. Não que estas palavras escoadas constituam material digno de catalogação, você sabe.

Sabe, caro amigo, desejo voltar. Sim, não sei para onde, partindo de qual ponto. Tudo que sei, lhe explico neste momento, é daquela sensação do coletivo. Aquela, de quando se está sentado na quietude do coletivo que cruza o Aterro do Flamengo, a admirar o espelho d’água, e a súbita vontade que lhe sobe em iminente romper da garganta é a de levantar-se, dirigir-se ao motorista e requisitar que ele lhe leve de volta.

Para onde?, ele perguntaria. Eu responderia, caríssimo, que não sei, não sei para onde se volta a uma altura destas. Inclusive, não sei que a altura é esta. Qual a sua altura, caro?

Não o fiz, evidentemente, há de se conservar a lucidez, permaneci na estática do assento até meu destino, aquele no qual pensamos quando tomamos o coletivo e apertamos os olhos para enxergar o número que se aproxima, aquele, e não aquele, aquele que buscamos incessantemente.

Voltei. Não para o objeto deste escoamento, voltei à esta correspondência, depois de breve ausência para checar a água ao fogo.  Evaporou um pouco. Sempre evapora, quando se sai de perto. Às vezes, é inevitável se sair de perto.

Percebo que escrevo num fôlego só, provável que se dê a notar. É o fôlego com o qual penso, meu amigo, seria o fôlego com o qual lhe falaria.

Há de se parar para respirar. O farei, se me permite, continuarei essa em outro momento.

Meus melhores desejos, caro amigo.”

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

descartes

Cotonete, palito de dente, lenço de papel, fio dental, copinho de café, palito de pirulito, durex sem cola, serpentina de carnaval lançada

                                              bombril, fralda de neném

lâmina de barbear, filtro de café, papel de seda da caixa de sapato, sapato furado, raspadinha raspada, chiclete sem açúcar, mapa rasgado


                                               DESCART
                                                               áveis.



                                                                e você?